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Ermida e Vale de Ílhavo

 

A Ermida e Vale de Ílhavo são dois lugares do Município de Ílhavo, com história distinta, mas que se constituem como a extremidade sul do Município, juntamente com o Vale das Maias. Caracterizam-se pela sua, atual, ruralidade e beleza paisagística que também lhes advém da proximidade ao Rio Bôco (Canal da Ria de Aveiro).

 

 

 

Seria a zona de Vale de Ílhavo, durante os séculos XVII a XIX, caracterizada por muitas levadas e azenhas. De tal forma que não é de estranhar a arreigada, e afamada, tradição de produção de pão – padas e pão doce (folar), que aqui existe e que se encontra em cada rua e em cada beco. Aliás, a Padeira de Vale de Ílhavo é uma figura emblemática do Município de Ílhavo, a que se associa a sua identidade cultural, e representada na estátua que as homenageia, na Rua do Cabeço do Nuno com a Rua da Felicidade.

 

Já a Ermida foi um antigo Concelho entretanto integrado no atual Município de Ílhavo, se encontra ligada à história da família do bispo D. Manuel de Moura Manuel, que haveria de mandar construir, na vizinha Vista Alegre, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França (e onde se encontra sepultado) e que tinha uma grande quinta – prazo, conhecida como Quinta da Ermida.

 

Ambas as povoações são sobranceiras ao Rio Bôco, considerado como braço da Ria de Aveiro, e as suas tradições advêm-lhes, maioritariamente, da sua ruralidade, de certa forma contrapondo-se à acentuada maritimidade ilhavense. Incluem diversas áreas florestadas constituindo-se como pontos de observação de aves privilegiados, pouco alterados pela mão humana, e ainda em Zona de Proteção Especial da Ria de Aveiro (Rede Natura 2000).

 

Também associados a esta ruralidade estão as suas tradições mais emblemáticas: o Carnaval Tradicional de Vale de Ílhavo, que inclui a figura icónica do Cardador, a festa do Divino Espírito Santo (também elas associadas às primeiras épocas das colheitas, como que anunciando a abundância) e a festa de Nossa Senhora do Rosário (também associada ao lugar da Carvalheira).

 

 

 

Breve roteiro histórico e arquitetónico

 

» A Ermida

 

Ainda antes da formação da nacionalidade portuguesa, a Ermida de São Cristóvão, será doada por Rocemundo (de Mourel) ao Mosteiro da Vacariça (1037). Localizada nas “Ribas do mar”, entre as vilas de Sousa e Ílhavo, é também doada por D. Sesnando ao Presbítero Roterico, corria o ano de 1088, ambas as doações segundo o Livro Preto da Sé de Coimbra. A povoação da Ermida, que também está ligada à génese da comunidade da Vista Alegre, terá sido um pequeno Concelho entre 1514 e 1834, altura em que foi incluído no atual Município de Ílhavo.

 

N'esta povoação houve um praso, cuja origem data de seculos, tendo por cabeça uma grande quinta denominada o Paço da Ermida. Este praso e quinta andava no senhorio dos Mouras Manoeis, familia muito illustre, pois trazem a sua descendencia de D. Branca de Sousa, filha de Lopo Dias de Sousa, grão-mestre da Ordem de Christo.(…) Por morte de Ruy de Moura Manoel, passou a quinta da Ermida para seu filho Rodrigo de Moura Manoel, que tendo casado com D. Rosalia da Silva, filha de Luiz Lobo da Silva, governador e capitão general de Angola morreu sem successão, pelo que os seus bens passaram para suas irmãs. A Ermida pertenceu a D. Maria Maximilianna, casada com Jeronimo de Castilho. Por morte d'este, ficou sendo senhor d'ella seu filho Jeronimo Antonio de Castilho que conjunctamente com sua mulher D. Joaquina Izabel Freire de Castro, a vendeu por escriptura lavrada nas notas do tabellião da então villa de Aveiro, Manoel de Sousa Bastos em 15 de janeiro de 1727, a Zeferino Rodrigues Caudello. Em 17 de março de 1812 fez venda da mesma quinta ao snr. José Ferreira Pinto Basto, D. Bernarda Thereza Umbelina Caudello de Maviz Sarmento, néta do referido Zeferino Rodrigues Caudello.” (J. A. Marques Gomes, A Vista Alegre: Apontamentos para a sua história, 1883)

 

 
Dos edifícios conhecidos, na vila e couto da Ermida, o Padre Luís Cardoso, no seu Dicionário Geográfico (terminado em 1762), menciona também a capela de Santiago, pertencente à Paróquia de São Salvador: “Foy antigamente da invocação de Sam Christovão e com esse nome anda nas doaçoens dos senhores Bispos Condes chamando-se o Prazo de S. Chistovão. Mas esta invocação se mudou (ignora-se o anno e também a cauza) na de S. Thiago, cuja imagem tem no meyo do altar mor em competente nicho de talha dourada.” Já em 1959, Nogueira Gonçalves faz a seguinte descrição (Nogueira Gonçalves, Inventário Artístico de Portugal, Aveiro, 1959):” Na capela da Ermida, dedicada a S. Tiago e Nossa Senhora do Rosário, toda a construção é moderna. Encosta-se-lhe à esquerda a torrezita e à direita o arco de ligação com o paço. A escultura de S. Tiago, vestido de apóstolo data do séc. XVII e é de calcário e comum. De igual matéria e do mesmo tempo resta um benedictério, de conformação em hemisfério.” É por esta afirmação que se julga que tanto a Capela como o Paço tenham sido intervencionados, pela família Pinto Basto, e não correspondam, no que respeita ao estilo e características arquitetónicas, aos originais edifícios. A Capela da Ermida foi recentemente – 2013, objeto de um protocolo celebrado entre o Município de Ílhavo, a Paróquia de São Salvador e os seus antigos proprietários – a família Pinto Basto, com vista à execução de uma obra de intervenção e qualificação do edifício prevendo-se, a breve prazo, a sua reabertura para serviço público religioso.

 

 

» Vale de Ílhavo

 

O censo populacional de 1527 incluiu “o lugar de Azenhas do Vale de Ílhavo, pertença de Sebastião Rodrigues, com nove fogos ou uns 36 moradores”. Já em 1758, Vale de Ílhavo de Baixo era lugar com nove fogos e trinta almas. Vale de Ílhavo de Cima, lugar “muito ameno”, com Capela do Espírito Santo, instituída por Manuel Ribeiro Valente e administrada, nessa altura, pelo Alferes Manuel Nunes Aleixo e sua mulher D. Teresa Angélica Saraiva de Leão, contavam-se 74 fogos e 234 pessoas (adaptado de “O Foral Manuelino de Ílhavo”, Câmara Municipal de Ílhavo, 2009).

 

 
A referida capela, que é atualmente utilizada como capela mortuária, teria sido reedificada em 1721, pelas informações paroquiais desse ano. Em 1870 foi também intervencionada e será nessa altura que adquire a sua atual forma: o alto da frontaria recorta-se segundo o gosto habitual da época e a torre à direita é mais forte do que o normal, tendo sito construída nesta remodelação (Nogueira Gonçalves, Inventário Artístico de Portugal, Aveiro, 1959). Segundo o Padre João Vieira Resende, em 1884 foram-lhe adicionados os dois altares laterais, cuja construção se deve ao mestre Manuel Bolais Mónica, de Verdemilho.

 

Vale de Ílhavo tem, no entanto, uma outra capela devotada ao Divino Espírito Santo. No ano de 1954, uma comissão presidida pelo Padre Júlio Tavares Rebimbas, decidiu a construção de uma capela nova, já que a capela existente tornara-se demasiado pequena e pouco funcional. Mas apenas em 1972 o arquiteto Bernardo Corujo é incumbido de elaborar o projeto que veio a ser implementado tendo a obra sido adjudicada em 1973, bem como efetuada a bênção e colocação da primeira pedra por D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro. O novo templo foi inaugurado a 1 de Agosto de 1976.

 

Existe ainda nesta localidade uma terceira capela, particular - a de Santa Bárbara, no lugar das Moitas. No largo fronteiro às escolas isola-se cruzeiro de calcário, de tipo de grandes braços, já renovado na parte alta. Nas faces do pedestal espalham-se os algarismos que formam o milésimo, 1733 (Nogueira Gonçalves, Inventário Artístico de Portugal, Aveiro, 1959).

 

 

Sugestão de Itinerário rodoviário ou ciclável (10 Km):