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C.M. Ílhavo - Voltar ao início
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Roteiro Centro de Ílhavo

Google maps: 40.601197, -8.667744‎

GPS: +40° 36' 4.31", -8° 40' 3.88"


O centro de Ílhavo encontra-se estruturado ao longo de duas vias: a antiga estrada nacional 109 (alinhamento das ruas Vasco da Gama, Santo António, de Camões e Ferreira Pinto Basto) e pela avenida 25 de Abril. Está implantado sobre a margem esquerda do Canal do Bôco da Ria de Aveiro.

 

 


Descubra aqui os restaurantes e a gastronomia...

 

Breve roteiro histórico e arquitetónico...

 

Com cerca de nove séculos e meio de vida documentada, os ilhavenses, ou os “Ílhavos”, são considerados como descendendo de navegadores, possivelmente fenícios e gregos, ou ainda de navegadores dos mares do Norte e até Romanos, que entraram pela foz do Vouga e se estabeleceram nas suas margens. Os próprios “Ílhavos” serão posteriormente fundadores de novas comunidades marítimas, ao longo do litoral português, pelas suas competências e saber tanto de navegação e pesca como de construção de embarcações.
 
A primeira referência escrita à “Villa Iliauo”, que consta do cartulário do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, designado por Livro Preto da Sé de Coimbra, remonta ao século XI, mais concretamente entre 1037 e 1065, sendo a sua doação mencionada aquando da tomada definitiva de Coimbra, em plena Reconquista Cristã.

Ílhavo recebe o seu primeiro Foral a 13 de outubro de 1296, pela mão de El-Rei D. Dinis, que lhe concedeu várias regalias expressas na Carta Régia. Já no século XVI, durante a Reforma Manuelina, El-Rei D. Manuel mandou que fosse outorgado, a 8 de março de 1514, novo Foral de Ílhavo que marcou uma nova etapa na vida municipal, social e económica do Concelho.

 

É durante os séculos XV e XVI que Ílhavo participa numa atividade nascente – a pesca do bacalhau, que, nessa altura, entrou na dieta europeia. Este peixe abundava nos mares do norte, da Gronelândia à Terra Nova, no Canadá, e foi a estes mares gélidos e imprevisíveis que os ilhavenses, aproveitando a sua natural propensão para as atividades marítimas e piscatórias e ainda da produção de sal local, rumaram, em navios à vela, para obter o precioso bacalhau, pescando-o à linha, em pequenas embarcações de um homem só, designadas por dóris. Esta atividade irá marcar fortemente a sua História futura.

 

Durante o século XVII, em 1693, as Câmaras da Vila da Ermida (povoação atualmente integrada no Município) e da Vila de Ílhavo pediram a El Rei D. Pedro II a mercê de estabelecerem uma Feira na Vista Alegre. O alvará régio marcava então os dias 12, 13 e 14 de setembro de cada ano para a realização de uma Feira Franca e, em qualquer dia de todos os meses, um mercado ou feira, propriamente dita. Em 1696, os dias da Feira Franca foram alterados para 7, 8 e 9 de Setembro. No entanto, esta feira nunca chegou a realizar-se, ficando estabelecido o dia 13 de cada mês. São as origens da atual “Feira dos 13”.

 

Conheça aqui o Alvará Régio

 

 

Será dessa altura, finais do século XVII, o Palácio de Alqueidão, que foi, ao longo do tempo, sendo habitado por alguns dos mais influentes políticos e personalidades da história de Ílhavo. A reabilitação, profunda, da autoria de Nuno e de José Mateus (ARX Arquitectos), ocorre em 2001 e tratou de compatibilizar harmoniosamente um novo edifício com o antigo solar/palácio. A capela (Nossa Senhora das Neves) foi restaurada na sua essência espacial preservando os seus elementos mais importantes, mas incluindo o mobiliário contemporâneo especificamente concebido para o espaço, tal como o novo retábulo de Pedro Calapez “Neve de Espinhos”, que repõe a tipologia e sentido de policromia original.

 

 

É também de finais desse século – XVII, a Capela da Vista Alegre, monumento nacional, mandada edificar por D. Manuel de Moura Manuel, Bispo de Miranda. É um edifício imponente, que apresenta na fachada principal uma imagem em pedra ricamente trabalhada da Nossa Senhora da Penha de França, a padroeira da Vista Alegre. No interior destacam-se os azulejos setecentistas, recentemente identificados pela investigadora Rosário Salema de Carvalho como sendo da autoria de Gabriel del Barco, mas também os retábulos em mármore e talha dourada e as abóbadas decoradas com frescos representando uma das maiores árvores de Jessé conhecidas. No vão da Capela-Mor ergue-se o imponente túmulo episcopal do Bispo, magnífico trabalho em pedra de ançã, da autoria do artista Claude Laprade, e um dos maiores pontos de interesse artístico desta capela.

 
 

Do século XVIII serão a Quinta do Paço (ou solar) da Ermida, nesta localidade próxima, constituída pelos jardins, dependências e por uma casa apalaçada, o Solar dos Maias, edifício que ostenta, na sua frontaria, o brasão oval das nobres famílias Maia, Castro e Pereira, situado na Rua de Alqueidão, e ainda a reedificação e ampliação da Igreja Matriz de Ílhavo, dominando, em altura, o centro urbano, disposto ao longo de arruamentos estreitos, vielas e becos, tendo sido construída a expensas da população local e consagrada a São Salvador (construção entre 1774 e 1785).

 

Com importância fundamental para o desenvolvimento, não apenas económico mas de higiene e da salubridade públicas, não apenas de Ílhavo mas de toda a Região em que se insere, está o processo que conduziu à fixação da barra (canal de navegação e comunicação entre o Oceano Atlântico e a Ria de Aveiro, onde desagua, entre outros, o Rio Vouga e que, já na altura, integrava a Vila de Ílhavo e a Cidade de Aveiro). Essa fixação do canal, artificialmente, foi uma obra tecnicamente complexa, lenta e custosa que veio a concretizar-se em 1808.
 
Em 1812, José Ferreira Pinto Basto, que viria a ser o fundador da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, adquire a Quinta do Paço da Ermida e, em 1816, adquire também, em hasta pública, Capela da Vista Alegre e terrenos envolventes. Em 1824, é fundada a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, (Alvará Régio de D. João VI, de 1 de julho desse mesmo ano), que viria a tornar-se a primeira unidade industrial dedicada à produção da porcelana em Portugal, dinamizada pelo seu fundador - José Ferreira Pinto Basto. A instalação desta fábrica seria uma influência importante na evolução social, cultural e económica do Concelho.

 

Conheça aqui a história da Fábrica da Vista Alegre

 

 

O Concelho de Ílhavo vigorou até à lei de Mousinho da Silveira, a 13 de agosto de 1832, altura em que foram extintos todos os forais nacionais e se anularam as doações régias.

 

Em meados do século XIX verifica-se, por parte da frota bacalhoeira portuguesa, um incremento das atividades da pesca do bacalhau na Terra Nova. Os ilhavenses vêm nesta oportunidade uma forma de sustento para as suas famílias, aproveitando das suas competências nas artes de marinharia e navegação. Vários investigadores sustentam que “entre 1890 e 1899 sabemos que a grande parte dos capitães era procedente de Ílhavo” (Amorim, Inês, 2001, pág. 130).

 

Para grande surpresa e descontentamento da população, o Concelho de Ílhavo é extinto e anexado ao de Aveiro, pelo Decreto de 21 de novembro de 1895. Durante três anos, os ilhavenses lutaram pela sua autonomia municipal e esperaram pacientemente pelo regresso do Partido Progressista ao poder que, a 13 de janeiro, restauram os extintos Concelhos em 1895, entre os quais o de Ílhavo. De muito interesse e motivo de orgulho foi a sessão extraordinária da Câmara Municipal de Ílhavo do dia 28 de janeiro de 1898, na qual se debateu este Decreto, elegendo o Executivo e agradecendo-se publicamente a dedicação do Presidente do Concelho de Ministros e do Governador Civil de Aveiro, Albano de Mello, pela causa do “povo Ilhavense” em prol da restauração de Ílhavo. Nesse dia, a população rejubilou e festejou o acontecimento.

 

É em finais do século XIX e inícios do século XX, que as influências da maritimidade ilhavense, a que se soma a emigração e retorno para o continente americano, principalmente, e também o fervilhar de influências culturais no polo artístico da Vista Alegre, resultam num centro histórico multicultural, vibrante de influências decorativas e estéticas arquitetónicas. A aplicação do azulejo como material de revestimento de fachadas de edifícios generalizou-se no último quartel do século XIX e inícios do século XX, que também é caracterizada por um aumento no número de fábricas deste material de construção na região. Painéis representando cenas quotidianas, etnográficas e repetições de padrões coloridos espalham-se pelo centro histórico e conferem novo brilho à cidade. A Arte Nova foi um estilo decorativo amplamente difundido e que originou alguns dos mais belos exemplares de edifícios nacionais.

 

 
 

A Vila Africana, foi erguida entre 1907 e 1908, a expensas do Dr. José Vaz que assim a nomeou por influência de ter desempenhado funções administrativas, na Parceria Marítima Africana, em Cabo Verde, encomendou o projeto arquitetónico ao pintor e decorador regional José de Pinho, que tem também com várias outras obras arquitectónicas nas proximidades.

 

O edifício Vila Vieira, constituído na década de 30, e actualmente sede da Junta de Freguesia de São Salvador, terá servido de habitação a João Fernandes Vieira, figura bem identificada na sociedade local e vereador por alguns anos na Câmara Municipal de Ílhavo, mas também, por longos espaços de tempo radicado na América do Sul. Trata-se de um edifício onde se mescla a arquitetura tipo colonial, a arquitetura popular portuguesa, tipo portuguesa suave, e alguns referentes decorativos de Arte Nova.

 

A Casa dos Cestos, recentemente classificada como monumento de interesse público, e que aguarda reabilitação, embora não se lhe conheça o autor nem a data de construção, é um belíssimo exemplar arquitetónico desta corrente artística e decorativa.

 

Mas muitos outros edifícios há, espalhados pela cidade, que refletem tanto a herança Arte Nova como o Modernismo, em especial na rua Arcebispo Pereira Bilhano mas também ao longo da antiga estrada nacional 109.

 

Conheça aqui as nossas sugestões de roteiros Arte Nova no Município de Ílhavo

 

No século XX, por alturas de 1935 e 1967, com a organização corporativa das pescas, durante o Estado Novo, verifica-se que os ilhavenses passaram a ser em maior número que os restantes pescadores de bacalhau nacionais, a que se seguiam os da Figueira da Foz. São desta altura, e de construção estatal, os bairros dos pescadores, neste caso dos pescadores da Ria, na zona da Malhada. Vale a pena visitar, em especial, o primeiro dos conjuntos arquitetónicos, de pequenas casas geminadas com as chaminés decoradas com elementos náuticos e históricos.
 

É a 8 de Agosto de 1937 que é inaugurado o “Museu dos Ílhavos”, assumindo uma vocação etnográfica e regional, nas proximidades da Igreja Matriz.

 

 

 

Em 1969 inaugura-se a “Estátua do Bispo”, implantada no principal jardim da cidade – o Henriqueta Maia, carinhosamente lembrado como o “Bispo do Mar”. D. Manuel Trindade Salgueiro ficou conhecido pelas suas invulgares qualidades de inteligência, carácter e sensibilidade. Foi devido ao seu empenho que se construiu em Ílhavo a antiga Escola de Pesca, o Bairro dos Pescadores e o Centro Paroquial.

 

Em 1990 a então Vila de Ílhavo é elevada à categoria de Cidade.

 

Em 2001 Ílhavo homenageia a sua tradição marítima através da Estátua do Homem do Mar, um grupo escultórico composto por um homem acompanhado de uma figura feminina e uma criança, sobre os característicos dóris da pesca do bacalhau. Vê-se a figura do homem, curvado, com as mãos crispadas nas linhas das artes de pesca, balouçando nas águas frias dos mares gelados do norte oceânico e lutando para retirar do mar o seu sustento, associado à espera e angústia familiar causada pela sua ausência - o elemento feminino, carregando uma criança nos braços, numa relação direta do pescador com a família e do ganho que servia de sustento subjacente à causa de profissão tão difícil e tão sofrida. 

 

 

Também neste ano, a 21 de outubro 2001 o Museu Marítimo de Ílhavo é ampliado e renovado. O projeto tratou de uma profunda remodelação do edifício existente, tendo sido reformulando a sua estrutura, espaços, instalações e imagem geral. A água, visível a partir de todos os corpos, passou a ser o elemento de ligação da experiência deste museu. Este museu foi posteriormente foi ampliado em 2012, pelos mesmos arquitetos, implantando-se os novos edifícios a noroeste do original, no lote da antiga Escola Preparatória, que foi convertida no CIEMAR - Centro de Investigação e Empreendedorismo do Mar e ainda num novo edifício onde se implantou o Aquário dos Bacalhaus.

 

A 24 de março de 2008 inaugura-se a Casa da Cultura de Ílhavo, à época com a designação de Centro Cultural de Ílhavo, num edifício imponente, moderno e arrojado, que se debruça sobre a avenida 25 de Abril, artéria principal da cidade. Trata-se de um edifício de vidro que evoca as tradicionais barraquinhas de praia, marcado pelo arrojo arquitetónico. As tecnologias utilizadas para a construção da torre de cena, nomeadamente mecânica e comunicações de cena permitiram à equipa de projeto desenhar um modelo arquitetónico mais compacto que o habitual em equipamentos deste género. É mesmo um dos primeiros edifícios do país a possuir esta tecnologia. A caixilharia exterior, em aço inox e vidro serigrafado, foi desenhada exclusivamente para este centro cultural, tendo sido desenvolvido artesanalmente e integrando uma fachada ventilada que constitui um invólucro translúcido que envolve a sala de espetáculos.

 

O centro de Ílhavo apresenta-se como uma terra antiga, fortemente ancorada na sua maritimidade, em que se destaca a pesca do bacalhau nos mares do Norte, plena de influências culturais intercontinentais e temporais, que, na contemporaneidade, se tem destacado pela qualidade dos seus equipamentos públicos e culturais, reflexos da criatividade e vivência marítima das suas populações.

 

(Para pequisar restaurantes, equipamentos culturais e desportivos, artesãos e outras atividades insira a designação desejada no campo de pesquisa. Clicando duas vezes em cada um dos marcadores vermelhos existentes no mapa encontrará os dados da entidade ou empresa que o marcador sinaliza.)